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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia


Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblias. Leremos esse texto dividindo-o em duas partes, fazendo sempre comentários sobre o Cumprir o Ide através da ações por trás da Tradução da Bíblia.

Capte um som,
Guarde-o na memória,
Contemple seus aspectos,
Calcule suas vibrações,
Analise seu contexto,
Chame-o com um nome,
Desenhe seu formato,
Registre-o na história,
Com um novo som.
Recomece toda a trajetória,
Com um novo som.

É um trabalho artesanal, alguém já mencionou. Encontrar um grupo sem escrita (ágrafo), viver entre eles, aprender seus sons, suas convenções sociais, a expressar nossos sentimentos através de sua forma de ver o mundo! O gravador, o caderno de anotações, canetas, lápis - esses são alguns dos companheiros de um linguista quando ele não está convivendo diariamente com o povo a quem ele está dedicando sua vida a fim de lhes conceder o dom da escrita.

Escreva os Sons 
(O aspecto linguístico)
Coloque-os em Uso 
(O aspecto da produção escrita)

Difícil? Sim. Impossível? Não.
Os versos que você acabou de ler são uma descrição poética do que um linguista da ALEM faz quando aprende uma língua ágrafa.
Eventualmente os sons ficam conhecidos, seu sistema registrado e a língua aparecem pela primeira vez em forma escrita.
Em vários locais, equipes da ALEM vivem e trabalham com povos nativos, muitos dos quais nem sabiam que as suas línguas podiam ser grafadas. 
No Brasil, há mais de 170 povos indígenas. Muitos estão prestes a perder a sua identidade linguística, mas se seus idiomas fossem escritos, eles teriam uma maneira concreta de preservar e propagar a sua cultura, seus valores e sua cosmovisão. 
À medida que aprender a ler e escrever na língua materna, ganham mais auto-estima e orgulho de sua herança cultural.

Após algum tempo de trabalho árduo, a língua chega a possuir a sua forma escrita, mas a “mochila” ainda comporta nenhum livro.
Não há nada na língua materna para o povo ler! Colocar os sons no papel é só o primeiro passo. A equipe da ALEM, que está aprendendo a falar a língua, recebe ajuda de especialistas em Educação para junto do povo produzirem literatura na língua nativa que seja culturalmente apropriada.
Livrinhos de leitura que abordam temas de seu interesse, como etnohistória, etnociência, matemática, saúde começam a aparecer e a ocupar o espaço daquela “mochila”.
A ALEM colabora com alguns programas de educação bilíngue intercultural. A Alfabetização na língua materna é peça importante no trabalho com os adultos e crianças. Quando eles aprendem, ensinam aos outros. Assim que são alfabetizados na própria comunidade, eles são incentivados a colaborar na produção do próprio material de leitura e ensino. A ALEM realiza oficinas sobre produção de literatura e ilustração para ajudar no processo. Nosso alvo é habilitar o povo indígena para as escolhas que haverá de fazer, a fim de dirigir seu ensino e seu próprio destino.

O foco principal é dar a Palavra de Deus aos povos que não a possuem; sem, no entanto, destruir-lhes a cultura, os elementos básicos que lhe fazem ser o povo que são. Muitos erros foram cometidos no passado não só pelas instituições missionárias, mas também pelos governos e instituições não religiosas. Entretanto, quantos povos não foram salvos da extinção junto com sua língua, cultura e história por grupos como a Wycliffe  Bible Translators e instituições afins. Sem esquecer que a escrita e a literatura de muitos povos começaram através de um tradutor Bíblia. Veja a história de Cirilo, Jachiam Bifrun,  James Evans e outros. 

O Credo Linguístico da Wycliffe diz: "Todas as línguas são dignas de preservação na forma escrita através de gramáticas, dicionários e textos escritos. Isso seria feito com parte da herança da raça humana" . E mais:"Todo grupo linguístico deve ter sua língua impressa e ter alguma literatura escrita na mesma".

Grande tarefa que não é feita apenas pela capacidade ou persistência do missionário, mas por dependência a Deus, através principalmente da oração (Leia a postagem A Vida de Oração do Tradutor de Bíblias - Parte 1). São palavras de William Carey, "Espere grandes coisas de Deus, faça grandes coisas para Deus". Antes de tudo, fazer grandes coisas para Deus é reconhecê-lo em oração e rogar-lhe que nos use para sua glória. Então, nós...

 
OUVIMOS E APRENDEMOS A LÍNGUA DO POVO



 
TRANSCREVEMOS OU DAMOS UM ALFABETO A ESSE POVO

ENSINAMOS O POVO A LER SUA LINGUA



sábado, 21 de abril de 2012

Tradutores da Bíblia: Durich Chiampel (C.1510-1583)



Durich Chiampel nasceu na Suiça e foi contemporâneo de Jachiam Bifrun, outro grande tradutor. Em 1562, Chiampel publicou seu importante trabalho de tradução dos Salmos em baixo engadino. Tanto a obra de Chiampel como a de Bifrun serviu como base para o romanche, dialeto engadino, ao nível de língua literária. Nesse sentido, tal obra valorizou a língua do povo, que até então era desprestigiada e desfavorecida. Também escreveu dois livros "Raetia alpestris topographica descriptio", um estudo sobre sua terra natal e uma "Historia totius Raetiae", que lhe conferiu o título de Pai dos Historiadores Romanches.


Acesso em 17 de fevereiro de 2012, às 18:09 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Tradutores da Bíblia: Sebastian Castellion (1515-1563)



Sebastian Castellion nasceu em Chatillón les Dombes e morreu em Basileia. Em sua juventude (1540) conheceu a Calvino em Estrasburgo com o qual iniciou uma estreita amizade até ao ponto de Calvino oferece-lhe a reitoria da Academia de Genebra. Porém, essa amizade não duraria muito tempo. Além das divergências doutrinárias (Castellion negava a descida de Cristo ao inferno e a predestinação), havia grandíssimas diferenças entre a forma de lidar com certos assuntos polêmicos de seu tempo. Castellion também não considerava o livro de Cântico dos Cânticos canônico. Depois disso, abandonou Genebra, indo para Laussane e, depois, Basileia, onde teve que trabalha braçalmente para garantir seu sustento. Contudo, em 1552, obteve a cátedra de grego, cargo que ocupou até a morte.
Ao saber da execução de Servet (1553), foi veemente contra, condenando-a. esse caso lhe inspirou a produção de uma obra intitulada De haereticis an sint persequendi (1554), na qual defende a tolerância religiosa, questão da qual será um defensor por toda sua vida. Obras produzidas por esse tradutor foram: Dialogi si caris litteris (1545) e Moses latinus, scilicet Genesis, Exodus, Leviticus, Numeris et Deuteronomium eco hebraeo factus (1546) que constituirá os fundamentos de sua tradução bíblica, primeiramente para o latim, em seguida para o francês.
Sua tradução da Bíblia para o latim recebeu o título de Biblia Sacra Latina (1551) e foi dedicada ao rei Eduardo VI da Inglaterra. No prólogo dessa tradução, ele critica as perseguições religiosas. Sua tradução francesa recebeu o título de La Bible, avec des anotations sur les passages difficiles (1555), dedicada ao rei Henrique II, da França, na qual argumenta a favor da liberdade da consciência.


Acesso em 17 de fevereiro de 2012, às 18:45 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Jachiam [Jacob] Bifrun (1506-1572?)


Jachiam Bifrun (cujo sobrenome também é escrito como Bivrun, em latim Biveronius e italiano Beveroni, Biveroni) nasceu em Samedan, no dia 8 de abril de 1506, quanto ao ano de sua morte há dúvidas sobre quando ocorreu. Bifrun foi um dos mais ativos divulgadores da Reforma em Engadina. É de sua autoria a tradução do Novo Testamento para o romanche,[1] publicada em 1560.
O trabalho de Bifrun tem enorme importância cultural e linguística para o romanche (engadino), pois seu empenho criou a escrita para uma língua de uso popular e ágrafa,[2] capaz de expressar com elegância os conceitos evangélicos. Pode-se dizer que o Novo Testamento de Bifrun teve para o romanche a mesma importância linguística que a Bíblia de Lutero para o alemão.
Para sua obra, Bifrun utilizou o Novo Testamento latino de Erasmo de Roterdã, usando o texto alemão de Lutero e uma tradução protestante italiana. Bifrun tinha consciência das grandes dificuldades que o esperavam. Em seu prefácio (primeiro exemplo de prosa engadina original), ele se defendia das acusações que poderiam surgir por haver ousado escrever em uma língua carente de tradição literária. Alguns de seus contemporâneos pensavam:

“che nu saia pussibel da scriuer indret l'g Arumauntsh, per che schji füs sto pussibel dalg scriuer, schi l'g hauesser êr nos ujiilgs, quaels chi sun stos sappiains, scrit”.

Porém, ele respondia que se era possível escrever em francés e alemão, também era possível escrever em romanche e

“otêrs languax quaels chi sun plü grêfs e plü fadius sco l'g nos”.

Reconhecia a dificuldade de não existir modelos que para seguir,

“"per che eau nun hae pudieu havair, üngiüns cudesths (= libros) ne chiartas chi saien stôs stampôs ne scrits aquidauaununt in nos lanuguaick, ne êr alchiün chim hegia sauieu intraguider...”

Abaixo, é possível ler um fragmento da tradução de Bifrun do evangelho de João 14:1-8:

“Et dis a ses discipuls: Vos cour nu s'daia conturblêr. Vus craiaias in dieu, craiè er in me. In la chiesa da mes bab sun bgierras maschuns. Che schi füs otergin schi haues eau dit a uus, eau uing à parderschèr à uus ün loe. Mu scheau min uing â parderschèr à uus un loe, schi tuorn eau darchio à prender uus tiers mè, che innua ch'eau uing, uus sappias, el sappias la uia. Thomas dis agli: Signer nus nu sauain innua che tü unes, et co pudains sauair la uia? Iesus dis agli: Eau sun la via, et la uardaet, et la uitta. Vngiün nu uain tiers l'g bab, upoeia cha saia três mè. Schi uus hauesses cunschieu me, schi hauesses schert cunscjieu er mês bab. Et huossa cunschais el, et hauais uis aquèl. Philippus dis agli: Signer amuossa a nus l'g bab schi hauains auuonda”.


João 3:16 em Alto Engadino


João 3:16 em Baixo Engadino

A língua romanche (ladina é outro título para a mesma, mas não confunda com o dialeto judeu-espanhol, denominado ladino) é uma língua romance minoritária falada nos cantões suíços e na Itália setentrional. Ele ocorre em dois dialetos: sobresselvano e engadino.[3]

FONTE:
Acesso em 21 de janeiro de 2012, às 16 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.


[1] Também chamado apenas de reto-romanche ou rético. É falado no cantão suíço de Grisões. Daí ser também chamado de engadino, grishum ou grisão. É uma língua derivada do latim assim como o português [N. do Trad.].
[2] Língua apenas falada, ou seja, não existe na forma escrita [N. do Trad.].
[3] Outros autores apresentam divisão diferente dos dialetos: Baixo Engadino (Vallader), Alto Engadino (Puter), Sobremirano (Surmiran), Subselvano (Sutsilvan) e Sobresselvano (Sursilvan [N. do Trad.].

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia

Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblia...