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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: George Borrow (1803-1881)



George Borrow nasceu em East Dereham (Inglaterra) no dia 5 de julho de 1803. Como filho de um militar, passou sua infância em diversas localidades da Escócia e da Inglaterra devido às contínuas mudanças próprias da profissão do pai.  
Em 1810, conheceu a Ambrósio Smith, o cigano que marcaria em Borrow uma influência perene. À semelhança de Jônatas e Davi, Borrow e Ambrósio juraram amizade perpétua.
Em 1818, encontramos os dois juntos novamente e, desta vez, Borrow decide ir com seu amigo para um acampamento de ciganos, onde aprenderia seus costumes e a língua romani.
Extraordinariamente dotado para línguas, aprendeu galês, dinamarquês, hebraico, árabe e armênio. Alguns de seus livros favoritos já mostravam sua inclinação aventureira e em nada estática: Gil Blas (novela picaresca francesa), de Alain-René Lesage, O Peregrino de Bunyan e Robinson Crusoé.
Quando morre seu pai, Borrow com 21 anos vai para Londres com a esperança de publicar os trabalhos de tradução literária que fizera. Entretanto, a realidade foi hostil. Esta foi uma época de sua vida em que passou grande crise espiritual. Voltou a encontrar-se com Ambrósio Smith e foi viver com os ciganos, pondo ferraduras em cavalos. A cavalo, percorre boa parte da Inglaterra em busca de aventuras.
A grande mudança na vida de Borrow ocorreu em 1833, quando influenciado por um pastor que conhecia seus dotes para as línguas, solicita  emprego na Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. A primeira tentativa de ingresso não satisfez completamente a seus futuros chefes devido a uma frase ambígua para descrever sua vocação. Na segunda tentativa, Borrow mostrou mais clareza, convencendo ao comitê encarregado de admitir seu ingresso.
Seu primeiro destino como representante da Sociedade Bíblica foi a Rússia. Alí colaborou na transcrição e colação do manuscrito do Novo Testamento traduzido para a língua manchu e sua impressa. Também traduziu algumas homílias da igreja anglicana e duas coleções de poesia inglesa para o russo.
Em outubro de 1835, volta para a Inglaterra e a Sociedade Bíblica o envía para Lisboa com o objetivo de difundir a Bíblia em Portugal. Esta viagem marcará a vida de Borrow de uma forma que ninguém suspeitaria.
Após um curto período em Lisboa, Borrow decide ir para a Espanha e aí realiza a tarefa de difusão da Bíblia. Porém, para isso, ele necessita da permissão de Londres, apesar da permissão do governo espanhol para imprimir e distribuir a Bíblia sem notas em castelhano.
Voltando de Londres com a confirmação da Sociedade Bíblica, Borrow manda imprimir o Novo Testamento do Padre Scio sem notas, traduz o evangelho de Lucas para o caló e abre uma loja para vendas da Bíblia na rua do Príncipe, em Madrid.
Logo começam os problemas: em 1838, os livros são roubados da loja e Dom Jorgito (como era conhecido popularmente em Madrid) é preso.
Durante o período que ficou na Espanha, Dom Jorgito entrou em contacto com os ciganos de diversos povoados com o propósito de difundir o evangelho entre eles. Também viajou por diversas regiões da Espanha. Fruto de todo esse empenho foi sua popular obra A Bíblia na Espanha. Nessa obra, duas Espanhas são retratadas: a  oficial, reacionária e clerical, e a popular, castiça e espontânea.

Folha de Apresentação do Evangelho de Lucas em caló[1]

Manuel Azaña (foto ao lado), que mais tarde será o presidente da II República Espanhola, foi o tradutor e quem assinou o prólogo de A Bíblia na Espanha. A descrição que Azaña faz de Borrow no prólogo desta obre é o seguinte:
 “Borrow era alto, franzino, de pernas longas, de rosto oval e testa em forma de oliva. Tinha o nariz aquilino, porém não tanto largo. A boca, bem desenhada; olhos escuros e muito expressivos. Com uma precoce lucidez, a cabeça ficou completamente branca. As sobrancelhas largas e proeminentes davam ao rosto uma destacada aparência escura”.

Em 1840, Borrow volta para a Inglaterra onde se casa e publica vários livros, entre outros o já mencionado A Bíblia na Espanha. Morreu em Oulton, com a idade de 78 anos.



Lucas 9:57-60 em caló



Acesso em 21 de janeiro de 2012, às 19:00 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.



[1] Linguagem própria dos ciganos da Península Ibérica que combina o léxico do romani, de origem indo-ariana muito evoluída devido aos costumes nômades do povo roma, e a gramática do castelhano e de outras línguas peninsulares (N. do Trad.).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Manrique Alonso Lallave (1839-1889)


Manrique Alonso Lallave nasceu em Fuente de San Esteban, Salamanca (Espanha) em 1839 e morreu em Manila – Filipinas, em 1889.
Exerceu o ofício de padre dominicano por doze anos nas Filipinas. Dessa experiência surgiu um livro intitulado Os frades nas Filipinas (Madri, 1872). Nele Lallave discorre sobre os prejuízos que os nativos filipinos sofreram decorrentes do controle clérigo espanhol. Após conhecer o evangelho, tornou pastor, exercendo seu ministério em Madri e Sevilha. Nesta cidade, desenvolveu um importante trabalho evangelístico entre os anos 1874 e 1889. Mesmo tendo abandonado as Filipinas, seu coração, jamais deixou de bater por seu povo, mesmo estando na Espanha. Sobre isso, ele declarou: “'Levar o evangelho ao arquipélago filipino é um assunto que deveria interessar a todos os cristãos evangélicos, especialmente aos espanhóis”.
Com os conhecimentos linguísticos adquiridos nas Filipinas, conseguiu traduzir, enquanto esteve na Espanha, os quatro evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos para a língua ilocana,[1] língua da região filipina de Pangasinan.
Sua tradução teve por base a versão espanhola de Reina-Valera e o primeiro livro bíblico a traduzir foi o evangelho de Lucas – cujo título foi Say Masantos a Evangelio na cataoan tin Jesu Cristo de onuñg na dinemuet nen S. Lucas. A obra foi publicada pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em Londres em 1887. No ano seguinte, foram traduzidos Mateus, Marcos, João e Atos.
Em 1889, partiu, na companhia de Francisco de Paula Castell, para as Filipinas. Pouco depois de sua chegada foram envenenados. Alonso Lallave morreu por consequência disso, já Castell sobreviveu, chegando posteriormente a traduzir a Bíblia para o povo bribri[2] da América Central.
Além das obras acima mencionadas, Alonso Lallave também publicou um Dicionário Bíblico, colaborou assiduamente com A Luz, sendo fundador e diretor de O Mensageiro Cristão e diretor de A Oficina uma publicação maçônica.[3]

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.




[1] Ilocano é uma língua austronésia falada primariamente no norte de Luzon, nas Filipinas. O nome vem de Iloko, nome nativo das Filipinas (N. do Trad.).
         [2] A língua bribri é uma língua tonal e posposicional falada pela comunidade bribri na região costarriquenha de Talamanca e nas montanhas da Província de Bocas Del Toro no Panamá. (N. do Trad.).
[3] Embora Lallave tenha servido aos propósitos do reino de Deus traduzindo a Palavra do Senhor para o illocano, a língua da região de Panganisan, cremos que, ao envolver-se com a maçonaria, o mesmo estava agindo de forma anticristã e antibíblica. Aquele que traduzira a Palavra estava agora vivendo em desacordo com os princípios da mesma Palavra que ajudara a traduzir. O Senhor Jesus ensinou que “o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora” (Mt 13:47,48) (N. do Trad.).

domingo, 20 de novembro de 2011

Um Menino, Uma Menina e a Bela História da Tradução da Bíblia



Tenho mais aptidão para aprender as regras gramaticais (morfologia-sintaxe-semântica) de um idioma do que sua fonética (Esse é um problema contra o qual estou investindo muito para vencer! Um dia eu chego lá. Sei QUEM as criou e para Ele é fácil me ensinar!). Meu interesse por línguas nasceu ao observar minha irmã estudando inglês para a escola (Acho que ela cursava o 6º. Ano – uma coisa assim!). Porém, a primeira vez de que ouvi falar sobre a paixão pela tradução das Escrituras Sagradas vem da história de uma menininha galesa que é a responsável indireta pela criação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Não sabia eu que ao ler aquela simples, mas comovente, história, Deus trabalhava em mim duas paixões: Línguas e Bíblia. A Ele toda glória! Mas, deixe-me mostrar a você(s) a animação dessa bela e enriquecedora história.

Assista o vídeo abaixo:





Para conhecer um pouco mais sobre essa história, acesse o site da Sociedade Bíblica do Brasil

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia

Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblia...