terça-feira, 2 de julho de 2013

Adoniram Judson (1788-1850)

Nascido em 9 de agosto de 1788 em Malden, Mass., E.U.A. e falecido em 12 de abril de 1850, no Oceano Índico, em alto mar, filho de um pastor congregacional, aos três anos já aprendeu a ler sozinho e aos 10 já sabia grego e latim.
Aos 16 anos, entrou na Universidade de Brown e graduou-se três anos depois - era o primeiro de sua turma. Quando jovem, tornou-se amigo de um agnóstico. A influência dessa amizade fez Judson afastar-se da fé cristã. Os ensinos de seu pai pareciam agora tolices do passado.
Viajou para Nova Iorque onde esperava trabalhar futuramente, mas isso não se concretizou. Triste e errante, uma noite hospedado em um hotel, despertou-se de madrugada devidos aos gritos vindo de um quarto vizinho ao seu.
Na manhã seguinte, procurou se informar a razão daquele lamento. A resposta foi de que se tratava de um moribundo que havia morrido em desespero. Ao perguntar sobre o nome de tal pessoa, descobriu que era seu amigo agnóstico que lhe influenciara em abandonar sua fé. Isso desencadeou em Judson uma crise que o levaria de volta a Deus.

A leitura de um famoso sermão do dr. Buchanan, A Estrela no Oriente, despertou em seu jovem coração de estudante um ardente desejo por missões. Em 1810, ajudou a criar a Junta Americana de Comissionados para as Missões Estrangeiras. Dois anos mais, ele e sua esposa eram enviados para a Índia. Ao ser proibido pelo governo indiano de entrar naquele país, rumou para a Birmânia, onde, até ver o primeiro convertido, passaram-se seis anos.

Durante esses anos, sofreram de má saúde, solidão e a morte de seu bebê. Judson foi preso e ficou encarcerado por quase seis anos. Durante esse tempo, sua esposa, Ana (Nancy), o visitava fielmente levando, às escondidas do governo birmanês, livros, papéis e notas que ele usou para traduzir a Bíblia para o birmanês.
Adotou costumes locais no evangelismo e abriu seu primeiro ponto de pregação em 1819. Fundou pouco depois uma igreja birmanesa. Também estabeleceu escolas e formou pregadores. De seus esforços, surgiu uma comunidade cristã composta de birmaneses, karens e outras nacionalidades atingindo o número de 500 mil pessoas.
Algum tempo depois de sair do cárcere, sua esposa e sua filha Maria, morreram de meningite. Após isso, Judson retirou-se para o interior a fim de concluir sua tradução da Bíblia. Em 1845, retornou a seu país natal, porém o fogo ardente pela Birmânia fez com que retornasse ao Oriente, onde pouco depois faleceu. Em sua juventude disse: “Não deixarei a Birmânia até que a Cruz esteja plantada aqui para sempre”.
Trinta anos depois de sua morte, a Birmânia contava com sessenta e três igrejas, cento e sessenta e três missionários e mais de sete mil convertidos.
João 1:1-8 em birmanês
(A leitura dos caracteres é da esquerda para a direita.)
P.S.: Ouça a história desse missionário clicando no link: Heróis da Fé, de Orlando Boyer: Adoniram Judson.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Leo Jud (1482-1542)

Crédito da Imagem
Leo Jud nasceu em 1482 em Germar, na Alsácia, e faleceu em 19 de junho de 1542 em Zurique. Ele evitava o uso de seu nome de família, Jud ou Judae (judeu). Foi um dos eruditos que, na  época, a Bíblia para sua língua materna. Esteve intimamente associado à Reforma que Ulrico Zuínglio e Heirinch Bulliger realizaram em Zurique, sendo um dos autores do rascunho da primeira Confissão Helvética (Credo Reformado, 1536).

Era filho de um sacerdote e estudo com Zuínglio em Basileia. Foi sucessor deste último como sacerdote na localidade de Einsiedeln em 1519. Também foi seu colega e fiel ajudante em Zurique a partir de 1523. Casou-se no primeiro ano de seu pastorado com uma ex-monja. Sua relação com Zuínglio pode ser comparada com a de Lutero e Melanchton, foi seu braço direito nas disputas e controvérsias e recebeu deste o seguinte elogio: "querido irmão e fiel colaborador no evangelho de Jesus Cristo". Depois da morte desse grande amigo, foi indicado para sucedê-lo, mas renunciou a oferta por achar-se incapaz para o trabalho administrativo. Continuou pregando e ensinando até sua morte. Por ter uma bela voz, foi cantor, músico e poeta.

Redigiu um catecismo em latim e dois em alemão. Traduziu a Imitação de Cristo, de Tomás de Kémpis, Do Espírito e a Letra, de Agostinho de Hipona e outros importantes livros para o alemão, além de porções da Biblia. Também fez uma tradução do Antigo Testamento a partir do inglês, trabalho que é considerado sua melhor obra, consultou um judeu convertido, chamado Michael Adam. Ainda que não tenha vivido o suficiente para ver sua obra terminada e publicada, deixou a conclusão para Theodor Bibliander e Conrad s,Pellican. Sua tradução apareceu em uma elegante edição de fólio em 1543 com prólogo de Pellican, sendo várias vezes reimprensa. Embora ela não tenha a força a força, beleza ou popularidade que a tradução de Lutero, ajudou a pôr a Bíblia nas mãos dos suíços - sendo usada até hoje junto com aquela. Foi publicada em Zurique, em 1530, quatro anos antes de Lutero terminar a dele.

Ainda que vivesse com um escasso salário para uma família grande como a sua, ajudou aos pobres e aos estrangeiros necessitados. Tudo isso graças à ajuda de sua esposa, que ficou conhecida em Zurique como "Mutter Leuin". Quatro dias antes de sua morte, chamou seus colegas a seu leito, recomendando-lhes o cuidado da igreja e a conclusão de sua Bíblia latina. Sobre seu falecimento, Calvino, Bullinger e o povo de Zurique consideraram uma grande perda.

A posição de Jud a respeito das relações entre Igreja e Estado aproximava-se mais da ideia anabatista que da luterana, pois defendia a independência da primeira em relação à segunda. Isto é, o Estado não deveria intrometer-se em assuntos internos em relação à Igreja, nem impor critérios em assuntos da fé.

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Acesso em 10 de junho de 2013, às 23:07
Usado com permissão

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Brand Jonson (+1264)

Sob o reinado de Haakon V (1229-1319), boa parte do AT (de Gênesis a 2 Reis) foi vertida para a língua nórdica antiga* (clique no link para ver mais detalhes linguísticos). Na verdade, não se trata de uma tradução, mas sim de uma paráfrase baseada na Vulgata com referências explicativas de diversos autores como Josefo, Agostinho, Vicente de Beauvis, Pedro Comestor etc. O autor de parte desse trabalho (Êxodo 19 a Deuteronômio 34) foi o bispo da Islândia, Brand Jonson, que faleceu em 1264.

Texto escrito em caracteres rúnicos


*Vale a pena ler a versão inglesa desse artigo, é muito mais amplo e rico.

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Acesso em 05 de junho de 2013, às 23:38
Usado com permissão

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Andrzej de Jaszowice (Século XV)

Uma das grandes traduções da Bíblia em polonês é a chamada Biblia de la Reina Sofía [Bíblia da Rainha Sofia] ou Bíblia de Sarospatak*.  Ganhou esse último nome devido à localidade húngara onde foi conservada, até o final da Segunda Guerra Mundial. 

Essa tradução para o polonês foi elaborada por uma equipe de tradutores. No entanto, foi terminada por Andrzej de Jaszowice - capelão da rainha Sofia, em 1455

Esta mesma rainha lhe encarregou da tarefa, daí vem o nome da tradução.
Resta somente uma parte do AT. Este material é valiosíssimo, pois é um testemunho do estado da língua polonesa na época.


João 3:16 na versão da Rainha Sofia


Imagem da Bíblia de Sarospatak

* Em polonês Zofia Królowej Biblia e Szaroszpatacka Biblia (Nota do Trad.)

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Acesso em 09 de janeiro de 2013, às 17:00
Usado com permissão

sexta-feira, 8 de março de 2013

Por favor, não confundam!


Abaixo estou parafraseando, em uma postagem que fez no facebook, a profa. Norma Braga, uma das pessoas mais sensatas que conheço virtual e livrescamente (seu blog está indicado abaixo). O assunto a seguir é sério porque ele está relacionado diretamente com o ler a Bíblia ou dizer-se crente ou protestante nesses dias tão difíceis pelos quais passa o cenário evangélico em nosso querido Brasil. Por isso reflita, antes de me atirar pedra porque sou crente.

Aos meus amigos que não são cristãos: por favor, ao ouvirem falar de algum pastor protestante famoso na tv, não pensem imediatamente "ah, são da mesma religião que o Marcos Paulo". Porque tem muito picareta famoso por aí, muito mesmo. Gente que, em nome de Cristo, diz e faz coisas do arco da velha. A coisa tá feia e a religião continua sendo usada para proteger a hipocrisia de muitos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Jerônimo (340-420)


PRIMEIROS ANOS

Eusébio Jerônimo nasceu em Stridon, uma cidade nos confins da Dalmácia e Panônia, no ano 340 d.C. e faleceu em Belém, no dia 30 de setembro do ano 420. Aos 20 anos foi batizado em Roma, mostrando grande interesse nos assuntos eclesiásticos. De Roma viajou para Trier, famosa por suas escolas e ali começou seus seus estudos teológicos.


APRENDENDO HEBRAICO

Anos depois viajou para Aquileia e, no ano 373, chegou no oriente. Primeiramente, morou em Antioquia, onde ouviu os ensinos de Apolinário de Laodiceia, um dos primeiros exegetas de seu tempo. Em seguida, viveu no deserto de Cálcis por  cinco anos, onde teve sua célebre visão de ser açoitado diante do tribunal de Cristo por ser mais ciceroniano do que cristão. Além disso, sua experiência no deserto foi produtiva, pois ali se exercitou em algo que seria de grande utilidade no futuro: a aprendizagem da língua hebraica.

EM BELÉM

Ordenado sacerdote em Antioquia, viajou para Constantinopla onde tornou-se amigo de Gregório de Nazianzo. Do ano 382 a 385, permaneceu em Roma. Ali, fez inimizades com muitos devido sua língua afiada. Após a morte do papa Dâmaso, precisou sair de Roma acompanhado por algumas damas da alta sociedade romana que lhe davam assistência a seus estudos. Chegando a Belém no ano 386, morou nessa cidade até sua morte, dedicando-se ao ascetismo e aos estudos. Teve polêmica com Rufino de Aquileia e com os pelagianos.


A VULGATA

Embora tenha sido um escritor prolífico, sem dúvida sua grande contribuição, com a qual alcançou renome, é sua tradução da Bíblia para o latim conhecida como Vulgata Antes dessa tradução, já existia outra tradução latina chamada de Vetus Latina. Todavia, a obra de Jerônimo é superior em qualidade literária e erudição.

Ainda que fosse versado em latim clássico (além do hebraico e grego), sua tradução foi composta no latim que era falado e escrito pela maioria das pessoas de seu tempo. A esta variante linguística dava-se o nome de  "vulgar", isto é, a língua comum do povo. Por isso, foi denominada de Vulgata.


LATIM : CLÁSSICO OU VULGAR?

O latim vulgar era uma variação do latim clássico que com o tempo se desmembrou dando origem às línguas como o espanhol, o francês e o italiano.

Essa língua já havia começado um processo transformativo que entre outras coisas era representado pelo  abandono das declinações o uso das preposições em seu lugar. Por exemplo no latim clássico a frase: "Ele me falou" soaria Dixit Mihi ou Mihi Dixit, porém no latim vulgar seria Dixit ad Me.


A SEPTUAGINTA

No segundo século antes de Cristo, eruditos judeus de Alexandria teriam traduzido as Escrituras do hebraico para o grego. A tradição chamou obra de Septuaginta (ou LXX), por que em sua elaboração trabalharam 70 (ou 72) tradutores. A LXX contém seis livros a mais que seu texto original, ou seja, o hebraico, também conhecido como texto massorético (ou TM). Até a leitura de alguns versículos diferem entre a LXX e o TM.

Os escritores do NT, com a exceção de Mateus, ao citarem o AT, normalmente usam a LXX. As diferenças nas leituras um texto e outro é explicado pelo fato de que nem os tradutores da LXX nem sempre acertaram em sua tradução. No entanto, antigos manuscritos hebraicos da Bíblia descobertos no século XX em Qumrán, algumas vezes confirmam a leitura da LXX e não à do TM. Por isso, supõe-se que os manuscritos com os quais trabalharam os tradutores da LXX eram fidedignos e foram a base do texto padronizado que temos hoje.


A BÍBLIA HEBRAICA

Os cristãos contemporâneos de Jerônimo, muitos dos quais conheciam o grego, mas não hebraico, estavam acostumados com o uso da LXX - até a Vetus Latina havia sido traduzida do grego. Porém, ele estava determinado em realizar sua obra tendo como base o texto hebraico, pois em suas discussões como os rabinos sempre se deparava com a frase: "mas isso é o que diz o hebraico".

Até os idos de 391-392, Jerônimo considerou a LXX uma tradução inspirada, mas como resultado de seus estudos no hebraico e com sua relação com os rabinos, acabou abandonando essa ideia e reconhecendo como inspirado apenas o texto original. Durante esse período, inciou sua tradução do AT. Contudo, sua reação contra a LXX foi muito exagerada, uma vez que não levou em conta que esta tradução foi feita a partir de um texto hebraico mais antigo e, às vezes,mais puro que o texto hebraico usado no século IV.

ESCRITOR PROLÍFICO

Com a exceção desse último fato, a obra de Jerônimo merece muitos elogios. Ele escreveu comentários exegéticos de muitos livros da Bíblia nos quais podemos apreciar sua erudição seu vasto conhecimento. Como exegeta, foi muito cuidadoso com a escolha de suas fontes de informação e possuía um amplo conhecimento da história sagrada e a secular, além de ser um competente linguista e um profundo conhecedor da geografia de Palestina.


OS DEUTEROCANÔNICOS

A posição de Jerônimo com respeito à inspiração da Bíblia, sua autoridade e sua inerrância, era ortodoxa e não admitia os livros deuterocanônicos como inspirados:

"Os livro de Jesus, filho de Siraque, Sabedoria de Salomão, Judite, Ester, Tobias e os Macabeus são lidos para a edificação; não desfrutam, porém, de autoridade canônica. Os livros de III e IV Esdras não passam de fantasias." (Ao se referir a Ester, Jerônimo tem em mente as edições feitas a esse livro, Nota do Editor).

As controvérsias com judeus e pagãos sobre certas dificuldades bíblicas já eram frequentes há muito tempo. A isso, Jerônimo respondia de várias formas: (1) apela para o princípio de que somente o texto original das Escrituras é livre de erro, por isso temos que determinar primeiro se o texto em debate é fiel ou foi modificado por algum copista. (2) Quando os escritores do NT citam o Antigo, não o fazem de acordo com a letra, mas conforme o espírito da letra.

Embora Jerônimo, em sua defesa, caia, às vezes, em contradições, temos que apreciar sobretudo sua sinceridade. como por exemplo, quando não tinha suficientes argumentos para contestar, reconhecia sua ignorância e admitia que havia dificuldades na Bíblia difíceis de resolver.


Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Acesso em 09 de janeiro de 2013, às 17:00
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Juan de Jarava (Século XVI)

Juan de Jarava viveu em meados do século XVI e foi médico de Leonor da Áustria, rainha da França e irmã de Carlos V. Traduziu para o espanhol obras antigas e contemporâneas de diversos tipos, tais como: as obras de Cícero, Aristóteles, Plínio e Erasmo.

Entre suas traduções de textos bíblicos estão "Os Salmos Penitenciais", "Os Salmos de Degraus" e as Lamentações de Jeremias. Todos traduzidos para a língua comum do povo. Além dessas obras, traduziu o Livro de Jesus, filho de Siraque, também chamado de Eclesiástico.


Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Acesso em 09 de janeiro de 2013, às 16:59
Usado com permissão

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia

Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblia...