quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CLM – Um Curso de Linguística Geral

                                                                                                                                       Bob Dooley (SIL)

Em 1916, foi publicado o Curso de lingüística geral de Ferdinand de Saussure, trabalho que inaugurou a época da lingüística moderna. Era sobre a lingüística geral porque visava à análise de qualquer língua, européia ou não-européia, escrita ou ágrafa. Um ano mais tarde, a William Cameron Townsend foi dada a visão de que a Bíblia deve ser traduzida em todas as línguas. Para o movimento moderno da tradução da Bíblia, Deus estava suscitando o movimento da lingüística moderna como ferramenta fundamental.

Nos anos subseqüentes os dois movimentos têm andado juntos. Em certos aspectos a tradução bíblica tem simplesmente desfrutado as sucessivas ondas da lingüística: o estruturalismo que gerou a fonologia e a morfologia modernas, a gramática gerativa que gerou a sintaxe moderna, a lingüística funcionalista que associa as formas lingüísticas com suas funções comunicativas, a lingüística cognitiva que associa as formas lingüísticas com a cognição geral etc. Em outros aspectos, bem práticos, a tradução bíblica tem contribuído com a lingüística moderna, abrindo caminhos novos pela força da simples necessidade: a análise do discurso, o registro das línguas do mundo, a produção de software para a lingüística de campo, a elaboração de fontes não-romanas para publicações em muitas línguas, técnicas de alfabetização etc. Todos esses aspectos da linguística estão à disposição da tradução bíblica. Só falta aplicá-los.


Para centenas de brasileiros durante os últimos 26 anos, o CLM[1] tem sido aquele “curso de lingüística geral” que colhe e aplica o melhor da lingüística moderna à tradução bíblica. É um curso intensivo que ele requer, tanto do aluno quanto do professor, um amor a Deus de todo o coração, mente e força. Mas o fruto desse curso, recebido e posto em prática com amor, tem sido a vida eterna para muitos povos que, de outra forma, não teriam acesso efetivo à Palavra de Deus.


Fonte: http://www.missaoalem.org.br/artigos/35-artigos/48-art-1.html
Acesso em 31 de janeiro de 2012


[1]Curso de Linguística e Missiologia, ministrado pela Associação Linguística Evangélica Missionária – ALEM, situada em Brasília. Veja seu site: http://www.missaoalem.org.br/clm/

Tradutores da Bíblia: Benito Arias Montano (1527-1598)



Benito Arias Montano, nascido em Fregenal de la Sierra (Extremadura, Espanha) em 1527 e morto em Sevilha em 1598, foi um dos hebraístas[1] mais destacados de seu tempo. Realizou seus estudos de linguística, gramática, retórica e filosofia em Sevilha, complementando-os mais tarde na Universidade de Alcalá de Henares, onde em 1548 recebeu o título de Bacharel em Artes, tornando-se, em 1552, o primeiro poeta laureado por tal Universidade.
Assistiu ao Concílio de Trento e, após sua volta para a Espanha, retirou-se para a Serra de Aracena (Huelva). Permaneceu lá até o dia em que haveria de ser convidado pelo rei Felipe II para ser professor de línguas orientais no monastério de El Escorial e o responsável por sua extraordinária biblioteca. Na referida biblioteca, deixaria marcas de seu profundo conhecimento. Esse fato foi confirmado seu sucessor e pupilo à frente da mesma biblioteca, frei José de Sigüenza, que o admirava bastante.
Sendo o capelão de Felipe II, venho a ser a pessoa responsável por influenciar o ânimo do rei para apadrinhar o empreendimento da Bíblia Poliglota de Amberes[2], monumental trabalho que rivalizaria com a Bíblia Poliglota Complutense, obra realizada décadas antes pelo Cardeal Cisneros. Naturalmente a Bíblia Régia, apelido que ganharia a Poliglota de Amberes, não era uma simples reedição da Complutense, mas era uma obra que possuía importantes inovações, tais como o Novo Testamento em caracteres siríacos e hebraicos. Além disso, ela incluía a tradução latina de Sanctes Pagnino a qual acrescentava a Vulgata latina. Arias Montano revisou a tradução de Pagnino e adicionou outro volume, na qual o mesmo dissertava sobre a geografia bíblica, os pesos e medidas hebraicos, a disposição do templo, as vestes dos sacerdotes e a interpretação da língua hebraica.
Tudo isto fez com que Arias Montano e sua Bíblia fossem atacados e considerados suspeitos pelo Tribunal da Inquisição que olhava para sua tradução como um atentado contra a Vulgata, além de ser uma obra recheada de rabinismo.[3] Arias Montano havia atrevido-se a mostrar que o texto hebraico contrapõe-se ao da Vulgata, além de ter dado excessiva autoridade às paráfrases aramaicas. Podemos ver nisso um eco do que aconteceu com frei Luís de León. As semelhanças vão tão longe que até mesmo um dos acusadores de Arias Montano, León de Castro, foi o mesmo que também atacara ao frei Luis. No final desse processo, tanto Arias Montano como a Poliglota de Amberes saíram ilesos e nessa mesma cidade, Amberes, sua obra magistral foi impressa em 1572.
Outras obras de Arias Montano foram: Antiguidades Judaicas (1593), obra composta de 9 tomos na qual trata dos nomes próprios e comuns caldeus, hebraicos, gregos e latinos que ocorrem na Bíblia, Retórica (1569), Salmos de Davi e outros profetas (1571) - obra escrita em versos latinos. Também escreveu uma História Natural (1601) e Cartas.
Rejeitando o cargo de bispo e outras honras eclesiásticas que o rei lhe oferecera, retirou-se para Sevilha onde, cansado e doente, faleceu.


Traduzido Por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão


[1] Pessoa dedicada ao estudo da língua hebraica.
[2] Amberes é o nome de uma cidade da Holanda, que na época pertencia ao Império Espanhol.
[3] Doutrina e estudo dos escritos dos rabinos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Áquila (Século II d.C.)



A primeira tradução que os judeus fizeram do Antigo Testamento, com a exceção das paráfrases do aramaico, foi a chamada tradução dos 70 ou 72, para ser mais exatos, eruditos judeus fizeram do hebraico para o grego, na cidade egípcia de Alexandria, no século III a. C.  sob o reinado do Faraó Ptolomeu Filadelfo (285-247 a. C.). Ela chegou a ser conhecida como Septuaginta (LXX). Ao redor dessa tradução se criou, desde cedo, toda uma tradição a respeito do modo miraculoso pelo qual ela foi produzida. Irineu relata em sua obra Contra as Heresias o seguinte:
Antes dos romanos estabelecerem sua administração, no tempo que os macedônios ainda possuíam a Ásia, Ptolomeu, filho de Lagos, desejando enriquecer sua biblioteca, fundada em Alexandria, com os melhores escritos procedentes de toda parte, pediu aos habitantes de Jerusalém que traduzissem suas Escrituras para o grego. Ainda subjugados pelos macedônios, os judeus enviaram setenta anciãos, os mais habilidosos nas Escrituras e no conhecimento de ambas línguas, cumprindo assim o propósito de Deus. Temendo que os judeus pudessem conspirar ocultando em sua tradução o verdadeiro sentido das Escrituras, Ptolomeu os separou e lhes ordenou que suas traduções fossem iguais. Quando eles compareceram diante do soberano egípcio e compararam suas versões, Deus foi glorificado e a Escritura foi reconhecida como divina, porque todas diziam as mesmas coisas com as mesmas palavras do princípio ao fim. Isso levou até mesmo os pagãos a reconhecerem que as Escrituras haviam sido traduzidas pela inspiração de Deus.
A LXX desfrutou o reconhecimento oficial da comunidade judaica de Alexandria e os escritores posteriores como Filo e Flávio Josefo a citaram em suas obras. Por causa da Diáspora,[1] muitos judeus passaram a habitar muito distante da terra dos seus antepassados, com isso foram aos poucos perdendo o conhecimento do hebraico. Com isso a LXX chegou a ocupar um papel vital para a sobrevivência de tais comunidades, uma vez que a língua grega tornou-se a língua materna desses grupos.
Além disso, a LXX preparou o terreno para os missionários cristãos que vieram anos depois, pois ela se tornou a versão dos primeiros anos do cristianismo, aquela usada pela igreja primitiva. De fato, as citações do Antigo Testamento encontradas no Novo Testamento procedem em grande parte da LXX. [Na direita, temos o texto de II Reis em um manuscrito palimpseto da LXX de Áquila]
Entretanto, pouco depois de seu uso pelos cristãos, a LXX começou a perder prestígio entre os judeus. Várias razões contribuíram com isso: em primeiro lugar, nas disputas teológicas entre cristãos y judeus, certas passagens da LXX pareciam apoiar a opinião cristã. Talvez a mais famosa delas seja a de Isaías 7:14, na qual a LXX traduz o hebraico 'almah como virgem, confirmando assim a crença cristã no nascimento virginal de Jesus. Outra razão para o abandono da LXX pelos judeus foi o fechamento cânon do Antigo Testamento na Palestina perto do final do século I d.C. O cânon palestinense não concordava exatamente com o cânon da LXX. Havia certos livros neste último, tais como Macabeus, Judite, Tobias, Baruque, Sabedoria, Eclesiástico, Salmos de Salomão e outras porções, que foram no concílio de Jâmnia, onde o cânon judaico foi estabelecido.
Junto a isso, devido à grande difusão do cristianismo, no seio do judaísmo se desenvolveu, nos primeiros séculos da era cristã, um movimento muito conservador. Sob a influência do rabino Akiba (século II d. C.) nasce uma escola de interpretação rabínica que destacava o valor de cada letra no texto sagrado, sendo estritamente literais quanto ao uso das palavras. Para esta escola, a LXX parece uma tradução muito livre.
Devido a todas estas razões, é necessária uma nova tradução do Antigo Testamento para o grego. É nessa hora que Áquila entra em cena. Pouco se sabe sobre sua vida. Jerônimo diz que era um prosélito judeu, natural do Ponto. Teria militado nas fileiras cristãs até retornar novamente para o judaísmo por causa da influência do rabino Akiba, (ainda que o Talmude de Jerusalém, Megillah 71a, relacione-o aos Rabinos Eliezer ben Hircano e Yehosua) cujos métodos de interpretação seriam usados por Áquila ao fazer sua tradução para o grego.
Como era de supor, a tradução de Áquila era muito literal, caindo, às vezes na ingenuidade, ainda que uma ingenuidade não isenta de mérito por causa de sua coerência, fruto de seus rígidos princípios de tradução. Naturalmente, a tradução de Áquila não desfrutou da simpatia dos cristãos, os quais viram que a tradução da palavra 'almah de Isaías 7:14 por donzela em lugar de virgem. Jerônimo, certa vez, zomba das peculiaridades da tradução de Áquila, por exemplo em Gênesis 1:1, ele traduz assim: “No princípio criou Deus com os céus e com a terra”. Por outro lado, Áquila substituiu os termos que tinha adquirido conotações cristãs por outros. Por exemplo, a palavra mãšîah = Christós, "Messias", ele a substituí por eleîmmenos. Por tudo isso, os judeus têm em grande estima o trabalho de Áquila, usando-a durante séculos em sua liturgia. Somente quando o estudo do texto hebraico original começa a ser revalorizado, durante o Império Bizantino, é que a tradução de Áquila perde a autonomia.
Cem anos mais tarde do aparecimento da tradução de Áquila, que ocorreu durante o governo do já citado Imperador Adriano no ano 130 d. C., Orígenes, o grande erudito cristão da escola de Alexandria, começa a dedicar boa parte de sua vida ao estudo do texto do Antigo Testamento, comparando as distintas versões que ele tem em mãos. Para isso, ele comporá uma de suas principais obras chamada Hexapla, que contém o texto sagrado em seis colunas paralelas assim divididas: o texto hebraico em caracteres hebraicas, o texto hebraico em caracteres gregos, a LXX, na tradução de Áquila, a de Símaco e a de Teodócio. Desta maneira a tradução de Áquila entra no campo de estudo dos eruditos cristãos por intermédio de Orígenes.
Epifânio (c. 315—403) preservou em seus escritos a tradição cristã popular que faz de Áquila parente do Imperador romano Adriano. Este o teria contratado para reedificar Jerusalém, onde converteu-se ao cristianismo. Depois regressou ao judaísmo por ser repreendido devido à prática da astrologia.[Abaixo temos o texto de Gênesis 1:1-8 da Septuaginta]




Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares.
Usado com permissão


[1] A dispersão dos judeus, no decorrer dos séculos. No caso, refere-se a do período conhecido como pós-exílico e imediatamente anterior ao tempo do Novo Testamento.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Esteban de Anse


Durante o século XII, em Lion, na França, surgiram e difundiram os valdenses, movimento que pretendia recuperar as raízes de una vida cristã baseada no Novo Testamento. Uma de suas marcas, além da pobreza material, era a pregação dos laicos[1] e sua insistência em pôr a Sagrada Escritura na língua vernácula[2] do povo.
Com esse objetivo, Pedro Valdo, fundador deste movimento, encarregou ao sacerdote-gramático Esteban de Anse que traduzisse uma seleção de textos para a língua comum.[3]  O próprio Valdo se encarregaria de financiar o projeto compensando a Esteban, entre outras coisas, com um forno de sua propriedade – a qual anos depois, Anse doaria à catedral de San Esteban. O trabalho de tradução foi realizado até 1170, data na qual Valdo começou a pregar nas ruas de sua cidade. Poucos anos depois, quando os valdenses compareceram diante do III Concílio de Latrão a fim de defenderem-se levavam consigo a tradução de boa parte da Bíblia: “Apresentação ao Papa um livro escrito em gaulês,[4] que continha o texto e a glossa do Saltério e de muitos escritos do Antigo e do Novo Testamento”.[5] É interessante a expressão 'em gaulês' nesse texto, recolhida por uma testemunha presencial dos atos e que faz referência à língua vernácula falada pelos valdenses. Este falar, com certeza, era uma variante do provençal.[6]
Esteban de Borbón, aquele que escreveu em 1250 um tratado intitulado De septem donis Spiritus sancti, menciona os Evangelhos como parte dos livros bíblicos traduzidos por Esteban de Anse para Valdo. Também menciona 'outros livros da Bíblia e fragmentos dos Pais da Igreja, reunidos com o título Sentença.
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.



[1] Também chamados de leigos, pessoas não consagradas a um ofício eclesiástico (N. do Trad.).
[2] O mesmo que língua materna (N. do Trad.).
[3] A língua falada nessa região era o rético, uma das línguas derivadas do latim vulgar ou comum. Alguns acreditam que se trata-se do provençal – veja nota de rodapé 6 (N. do Trad.).
[4] A língua dos antigos gaules, derivada dos celtas e falada na região que compreende a França e parte da Suiça (N. do Trad.).
[5] Walter Map, De nugis curialum.
[6][6] Uma das dez línguas derivadas do latim vulgar. Falada na região sul da França e de importante influência nas origens da literatura portuguesa (N. do Trad.).

Tradutores da Bíblia: Manrique Alonso Lallave (1839-1889)


Manrique Alonso Lallave nasceu em Fuente de San Esteban, Salamanca (Espanha) em 1839 e morreu em Manila – Filipinas, em 1889.
Exerceu o ofício de padre dominicano por doze anos nas Filipinas. Dessa experiência surgiu um livro intitulado Os frades nas Filipinas (Madri, 1872). Nele Lallave discorre sobre os prejuízos que os nativos filipinos sofreram decorrentes do controle clérigo espanhol. Após conhecer o evangelho, tornou pastor, exercendo seu ministério em Madri e Sevilha. Nesta cidade, desenvolveu um importante trabalho evangelístico entre os anos 1874 e 1889. Mesmo tendo abandonado as Filipinas, seu coração, jamais deixou de bater por seu povo, mesmo estando na Espanha. Sobre isso, ele declarou: “'Levar o evangelho ao arquipélago filipino é um assunto que deveria interessar a todos os cristãos evangélicos, especialmente aos espanhóis”.
Com os conhecimentos linguísticos adquiridos nas Filipinas, conseguiu traduzir, enquanto esteve na Espanha, os quatro evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos para a língua ilocana,[1] língua da região filipina de Pangasinan.
Sua tradução teve por base a versão espanhola de Reina-Valera e o primeiro livro bíblico a traduzir foi o evangelho de Lucas – cujo título foi Say Masantos a Evangelio na cataoan tin Jesu Cristo de onuñg na dinemuet nen S. Lucas. A obra foi publicada pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em Londres em 1887. No ano seguinte, foram traduzidos Mateus, Marcos, João e Atos.
Em 1889, partiu, na companhia de Francisco de Paula Castell, para as Filipinas. Pouco depois de sua chegada foram envenenados. Alonso Lallave morreu por consequência disso, já Castell sobreviveu, chegando posteriormente a traduzir a Bíblia para o povo bribri[2] da América Central.
Além das obras acima mencionadas, Alonso Lallave também publicou um Dicionário Bíblico, colaborou assiduamente com A Luz, sendo fundador e diretor de O Mensageiro Cristão e diretor de A Oficina uma publicação maçônica.[3]

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.




[1] Ilocano é uma língua austronésia falada primariamente no norte de Luzon, nas Filipinas. O nome vem de Iloko, nome nativo das Filipinas (N. do Trad.).
         [2] A língua bribri é uma língua tonal e posposicional falada pela comunidade bribri na região costarriquenha de Talamanca e nas montanhas da Província de Bocas Del Toro no Panamá. (N. do Trad.).
[3] Embora Lallave tenha servido aos propósitos do reino de Deus traduzindo a Palavra do Senhor para o illocano, a língua da região de Panganisan, cremos que, ao envolver-se com a maçonaria, o mesmo estava agindo de forma anticristã e antibíblica. Aquele que traduzira a Palavra estava agora vivendo em desacordo com os princípios da mesma Palavra que ajudara a traduzir. O Senhor Jesus ensinou que “o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora” (Mt 13:47,48) (N. do Trad.).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Série Tradutores da Bíblia: Mikael Agrícola – Pai da Literatura Finlandesa (1510-1557)



Mikael Agrícola nasceu em Uusimaa, Finlândia, em 1510 e frequentou a escola de Viborg (Viipuri) e depois a de Abo (Turku), onde entrou em contato com a Reforma, pois o bispo dessa cidade lhe havia enviado a Wittenberg, onde conheceu a Lutero e Melanchthon. Agrícola já havia pregado em sua terra natal as doutrinas reformadas, tanto na cidade de Abo como no campo.
Esteve em Wittenberg de 1536 a 1539, ao voltar para a Finlândia conduzia uma carta de recomendação para bispo escrita por Lutero. Com isso, conseguiu ser nomeado reitor da escola catedrática de Abo, a principal instituição teológica do país na época. Após a morte do bispo em 1554, Agrícola foi consagrado como o novo bispo de Abo sem a aprovação papal.
Quando percebeu a importância de ensinar e adorar a Deus na língua finlandesa, Agrícola estabeleceu normas ortográficas que se tornaram a base do moderno finlandês, escreveu um livro, Abecedário, o primeiro livro escrito em sua língua materna. Além disso, escreveu um livro de oração em 1554 e um livro sobre liturgia do culto. Porém, o trabalho que impactaria sua terra natal seria a tradução do Novo Testamento em sua língua materna. Também traduziu muitos hinos para o finlandês e colecionou outros hinos que haviam sido escritos por outros autores. Paralelo a essas tarefas, foi estudioso dos mitos e folclores finlandeses anteriores a chegada do cristianismo em seu país. Muitos o consideram Pai da Literatura Finlandesa.
Após seu trabalho de tradução do Novo Testamento, Agrícola iniciou também a tradução do Antigo Testamento, concluindo partes do mesmo, entre elas os Salmos. A Finlândia deve a Agrícola os fundamentos do cristianismo evangélico, as bases da educação teológica, da liturgia, da instrução e da pregação nessa língua.
Ao concluir apenas três anos de episcopado e após voltar de uma missão diplomática entre os russos, para o qual havia sido designado, morreu subitamente sem completar seus cinqüenta anos de vida.



Os primeiros oito versículos do capítulo 1 do evangelho segundo João em finlandês.




Traduzido Por Marcos Paulo da Silva Soares

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia

Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblia...