quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Jan Blahoslav (1523-1571)




Jan Blahoslav foi membro dos chamados Irmãos Boêmios, uma corrente nascida no seio do catolicismo no século XV e que mais tarde, na época da Reforma, se filiaria ao protestantismo. Daí surgiriam a Unitas Fratrum[1] ou Irmãos Morávios.
Blahoslav estudou na Alemanha, onde entrou em contato pessoal com Lutero e Melanchthon na sede da Reforma, ou seja, a cidade de Wittenberg. De volta à sua pátria, tornou-se bibliotecário do movimento na cidade de Mlada Boleslav. Com 30 anos foi consagrado pastor e com 34, bispo.
Sua obra abrange diversas áreas: como linguista, escreveu uma Gramática Tcheca (1571. Nessa obra, descreve os distintos dialetos da língua tcheca. Como dirigente eclesiástico, recopilará uma coleção de hinos da Unitas Fratrum. Também escreveu sobre questões morais e éticas.
Como tradutor, Blahoslav traduziu o Novo Testamento (1564) para o tcheco, tomando por o grego, mas sempre consultando as versões latinas. Seu desejo de ser fiel ao texto original grego incentivou uma equipe de tradutores da Unitas Fratrum a se entregar ao trabalho da tradução completa da Bíblia. Este trabalho a ser denominado Biblia de Kralice (Bible kralická), fazendo menção do lugar onde mesma foi edita.
A Bíblia de Kralice foi publicada em seis volumes entre 1579 e 1584, tornando-se um fato de importância cultural e fixando a literatura  em língua checa. Na Bíblia de Kralice, foi o utilizado o Novo Testamento de Jan Blahoslav.
Este herói cristão morreu na Morávia, a mesma terra que o viu nascer.


João 1:1-8 em tcheco (Bíblia de Kralice)

Acesso em 21 de janeiro de 2012, às 18 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.


[1] Nome oficial da Igreja Moraviana. A tradução do nome Unitas Fratrum – Unidade dos Irmãos, não deve ser confundida com a pequena unidade da Igreja dos Irmãos, no Texas (EUA). Tem fonte ênfase na unidade cristã, na unidade pessoal, na piedade, nas missões e na música. O emblema da igreja é o Cordeiro de Deus com a bandeira da vitória, cercado pela inscrição: Vicit agnus noster, eum sequamur – O Nosso Cordeiro já conquistou, vamos segui-lo. In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Moraviana (Acesso em 08 de fevereiro de 2012, às 15h45).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Jachiam [Jacob] Bifrun (1506-1572?)


Jachiam Bifrun (cujo sobrenome também é escrito como Bivrun, em latim Biveronius e italiano Beveroni, Biveroni) nasceu em Samedan, no dia 8 de abril de 1506, quanto ao ano de sua morte há dúvidas sobre quando ocorreu. Bifrun foi um dos mais ativos divulgadores da Reforma em Engadina. É de sua autoria a tradução do Novo Testamento para o romanche,[1] publicada em 1560.
O trabalho de Bifrun tem enorme importância cultural e linguística para o romanche (engadino), pois seu empenho criou a escrita para uma língua de uso popular e ágrafa,[2] capaz de expressar com elegância os conceitos evangélicos. Pode-se dizer que o Novo Testamento de Bifrun teve para o romanche a mesma importância linguística que a Bíblia de Lutero para o alemão.
Para sua obra, Bifrun utilizou o Novo Testamento latino de Erasmo de Roterdã, usando o texto alemão de Lutero e uma tradução protestante italiana. Bifrun tinha consciência das grandes dificuldades que o esperavam. Em seu prefácio (primeiro exemplo de prosa engadina original), ele se defendia das acusações que poderiam surgir por haver ousado escrever em uma língua carente de tradição literária. Alguns de seus contemporâneos pensavam:

“che nu saia pussibel da scriuer indret l'g Arumauntsh, per che schji füs sto pussibel dalg scriuer, schi l'g hauesser êr nos ujiilgs, quaels chi sun stos sappiains, scrit”.

Porém, ele respondia que se era possível escrever em francés e alemão, também era possível escrever em romanche e

“otêrs languax quaels chi sun plü grêfs e plü fadius sco l'g nos”.

Reconhecia a dificuldade de não existir modelos que para seguir,

“"per che eau nun hae pudieu havair, üngiüns cudesths (= libros) ne chiartas chi saien stôs stampôs ne scrits aquidauaununt in nos lanuguaick, ne êr alchiün chim hegia sauieu intraguider...”

Abaixo, é possível ler um fragmento da tradução de Bifrun do evangelho de João 14:1-8:

“Et dis a ses discipuls: Vos cour nu s'daia conturblêr. Vus craiaias in dieu, craiè er in me. In la chiesa da mes bab sun bgierras maschuns. Che schi füs otergin schi haues eau dit a uus, eau uing à parderschèr à uus ün loe. Mu scheau min uing â parderschèr à uus un loe, schi tuorn eau darchio à prender uus tiers mè, che innua ch'eau uing, uus sappias, el sappias la uia. Thomas dis agli: Signer nus nu sauain innua che tü unes, et co pudains sauair la uia? Iesus dis agli: Eau sun la via, et la uardaet, et la uitta. Vngiün nu uain tiers l'g bab, upoeia cha saia três mè. Schi uus hauesses cunschieu me, schi hauesses schert cunscjieu er mês bab. Et huossa cunschais el, et hauais uis aquèl. Philippus dis agli: Signer amuossa a nus l'g bab schi hauains auuonda”.


João 3:16 em Alto Engadino


João 3:16 em Baixo Engadino

A língua romanche (ladina é outro título para a mesma, mas não confunda com o dialeto judeu-espanhol, denominado ladino) é uma língua romance minoritária falada nos cantões suíços e na Itália setentrional. Ele ocorre em dois dialetos: sobresselvano e engadino.[3]

FONTE:
Acesso em 21 de janeiro de 2012, às 16 horas
Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão.


[1] Também chamado apenas de reto-romanche ou rético. É falado no cantão suíço de Grisões. Daí ser também chamado de engadino, grishum ou grisão. É uma língua derivada do latim assim como o português [N. do Trad.].
[2] Língua apenas falada, ou seja, não existe na forma escrita [N. do Trad.].
[3] Outros autores apresentam divisão diferente dos dialetos: Baixo Engadino (Vallader), Alto Engadino (Puter), Sobremirano (Surmiran), Subselvano (Sutsilvan) e Sobresselvano (Sursilvan [N. do Trad.].

Tradutores da Bíblia: William Bedell (Século XVII)


 
William Bedell nascido em 1571 e morto em 7 de fevereiro de 1642, foi um bispo anglicano da Igreja da Irlanda em Kilmore de 1629 a 1642, quando morreu e foi e sepultado no terreno que pertencia a sua igreja.

Considerado com um grande estudioso e agradável pessoa, durante a rebelião católica de 1641. Esse levante ocorreu como reação separatista dos católicos da Irlanda frente a supremacia protestante dos ingleses.





Catedral de Kilmore





Com a ajuda de outros tradutores traduziu o Antigo Testamento para o gaélico irlandês. Três cópias originais podem ser vistas na catedral de Kilmore. Outras cópias estão no Trinity College, Dublin [Irlanda] e no Emmanuel College, Cambridge [Inglaterra]. Sua tradução foi reimpressa muitas vezes e uma revisão foi realizada pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em 1827 (Ao lado parte do Salmo 47 em gaélico irlandês).

















Fontes:
Acessados em 07 de fevereiro de 2012.
O material da Promotoria Espanhola de Linguística foi traduzido e utilizado com permissão da mesma.
Tradução feita por Marcos Paulo da Silva Soares

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Beda, O Venerável (672-735)


Beda (nascido em 672/673, tradicionalmente em Monkton em Jarrow, Northumbria e morto em 25 de maio de 735 em Jarrow) passou a maior parte de sua vida no monastério da localidade onde nasceu, pois com apenas 7 anos entrou para o mesmo. Nunca se afastou de lá mais do que alguns quilômetros. Isso não foi obstáculo para que Beda alcançasse grande erudição e piedade, o que lhe valeu o título de Venerável.[1]
Escreveu sua História ecclesiatica gentis anglorum.[2] Isso lhe fez merecedor da alcunha "Pai da História da Inglaterra". Além da história, seu campo de saber se estendia à gramática, retórica, música, matemática, física, astronomia e teologia. Escreveu comentários sobre livros do Antigo e do Novo Testamento e traduziu o evangelho de João para o anglo-saxão. Sobre isso existe um cena ocorrida na última etapa de sua vida: Pouco depois de começar a tradução, foi acometido de uma grave doença; no entanto, ele continuou sua tarefa terminando-a pouco antes de morrer. Na manhã do dia de sua morte, restava um capítulo por traduzir. Ao lado de seu leito de morte estava seu amanuense. “Toma a pena” – dizia-lhe Beda, sentindo que cada minuto lhe era precioso – “e escreva rapidamente”.
À medida que o amanuense lia na Vulgata, versículo após versículo, o capítulo final do evangelho de João, Beda traduzia o mesmo para o anglo-saxão e o amanuense escrevia suas palavras. Neste momento, foram interrompidos pela entrada, no quarto, de certos oficiais que vinham lhe homenagear com música. Após ficarem sozinhos de novo, o amanuense voltou a tomar nota do que lhe falava o Venerável: "Mestre" – disse-lhes o amanuense – “falta o último versículo". Beda lhe respondeu: “Então, apressa-te”. O amanuense leu o texto em latim, Beda o traduziu para o anglo-saxão e o amanuense escreveu. “Está concluído” – disse o amanuense com grande alegria. A isso, Beda respondeu: “Certamente como disseste, está concluído”. Levantando suas mãos, Beda exclamou: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. Tendo feito isso, expirou.

  João 1:1-8 em inglês antigo ou saxão ocidental

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão


[1] O mesmo que respeitável (N. do Trad.).
[2] História Eclesiástica dos povos anglo-saxões (N. do Trad.).

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Tradutores da Bíblia: Moisés Arragel (Século XV)



O Rabino Moisés Arragel foi um judeu natural de Guadalajara (Espanha). Por encargo de Dom Luis Guzmán, Mestre da Ordem de Calatrava, realizou uma tradução castelhana da Bíblia hebraica com comentários em espanhol.
Ainda que fique assombrado com a complexidade da tarefa, uma vez aconselhado pelo franciscano Arias de Encina, conclui em 1.433 a tradução que passará ser chamada de Bíblia de Alba - sendo uma das primeiras traduções conhecidas para uma língua românica. Esta versão segue a Vulgata somente nas passagens em que a mesma não se distancia do texto hebraico.
No início de sua obra, conservada em um manuscrito ornamentado com preciosas miniaturas, parece a relação entre o tradutor e comentador judeu com o Mestre de Calatrava e os sábios franciscanos de Toledo, devido ao trabalho que realizaram juntos. A ornamentação, com era proibida a um judeu, ficou a cargo dos franciscanos.


[Página da Bíblia de Alba, 2 Samuel 2:23]

A figura abaixo apresenta a passagem em que o profeta Elias é alimentado por corvos no ribeiro de Querite e sua permanência posterior na casa da viúva de Sarepta. Estas passagens encontram-se no livro de 1 Reis 17.


 [Página da Bíblia de Alba]
Para redigir seu comentário, o Rabino Moisés Arragel compilou os comentários de eruditos e teólogos judeus e cristãos, destacando-se entre os primeiros temos Raši, Rabino Abraham ibn Ezra,[1] Maimônides,[2]  Nachmânides,[3] Rabino Josef Quimhí, Rabbenu Aser, Rabino Solomom ben Adret, Rabino Ya'acob, Rabino Nissim de Barcelona e os comentários de autores cabalistas.
Em várias passagens de seu comentário destaca sua consciência e orgulho nacional, pois segundo suas próprias palavras os reis da Espanha tinham o costume de honrar aos judeus de seu país por suas qualidades e virtudes. Por isso os judeus espanhóis ultrapassam aos judeus da Diáspora[4] 
"em linhagem, riqueza, bondade e ciência. Os reis e senhores de Castela sempre falaram que toda conquista para os judeus seja na lei gentílica ou na lei judaica e outras ciências conhecidas foi elaborado pelos judeus de Castela. Por esse ensino os judeus em todos os reinos para onde foram espalhados são beneficiados."[5]
Naturalmente estas palavras foram escritas antes dos fatais acontecimentos que ocorreriam décadas mais tarde e que resultariam no assassinato da tolerância para com os judeus.



[Página da Biblia de Alba Gênesis 4:5-10]
Os magníficos quadros que ornamentam a Bíblia de Alba descrevem muito bem a posição social deste erudito judeu, que aparece ao lado de cristãos, vestido tipicamente com suas indumentárias e conduzindo a divisa especial, símbolo da identidade judaica.
O texto da Bíblia de Alba ocupa 513 fólios, dos quais 25 compõem-se de cartas entre D. Luis Guzmán e Moisés Arragel, com 334 miniaturas. Depois da expulsão dos judeus em 1492 da Espanha, não se sabia a respeito da Bíblia de Alba. Em 1622, ela foi encontrada na biblioteca do Palácio de Liria, residência do Duque de Alba. Em 1992, nas comemorações do 5º centenário da expulsão, a Duquesa de Alba - localidade em Salamanca - autorizou a edição em fac-símile de 500 exemplares. Um deles foi dado ao rei Juan Carlos I, da Espanha, como reconhecimento da histórica contribuição que as comunidades sefarditas[6] fizeram na cultura espanhola.

Traduzido por Marcos Paulo da Silva Soares



[1]  O rabino Abraham ben Meir ibn Ezra, conhecido também como Aben Ezra ou Esra, Abraham Judaeus, Abendre e Avenara. Cognominado como O Sábio, O Grande, O Admiraável. Conhecedor de diversas áreas: poesia, filosofia, gramática, cábala, medicina, matemática e astronomia. Em 1934, em sua homenagem, foi batizada uma cratera lunar com o nome de Abenezra (N. do Trad.).
[2] Moshé ben Maimón ou Musa ibn Maymun. O nome Maimônides ou RaMBaM (acrónimo de suas iniciaies em hebraico. Ficou conhecido nos círculos cristãos com Rabi Moisés o Egipcio. Destacou-se com médico, rabino e teólogo – o mais célebre da Idade Média.
[3] Rabi Moshe ben Nachman, conhecido no judaísmo pelo acrônimo Ramban (de Rabbi Moshe ben Nahman), foi um rabino catalão, médico e um grande conhecedor da Torá. Interessava-se pelo misticismo judeu, a cabala (N. do Trad.).
[4] Dispersão de povos por motivos políticos ou religiosos, em virtude de perseguição de grupos dominadores intolerantes (N. do Trad.).
[5] O texto original está em escrito em castelhano arcaico: "en linaje, en rriqueza, en bondades, en sçiençia. E los reyes e señores de Castilla siempre fallaron que todo o lo mas que oy los judios auemos de glosa ssobre la ley e en las sus leyes e derechos e otras sçiençias fue fallado conpuesto por los sabios judios de Castilla, e por su doctrina oy sson regidos los judios en todos los reynos de la su trasmigraçion" (N. do Trad.).
 [6] Os judeus descendentes dos primeiros israelitas de Portugal e da Espanha, expulsos, respectivamente, em 1496 e 1492 (N. do Trad.).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CLM – Um Curso de Linguística Geral

                                                                                                                                       Bob Dooley (SIL)

Em 1916, foi publicado o Curso de lingüística geral de Ferdinand de Saussure, trabalho que inaugurou a época da lingüística moderna. Era sobre a lingüística geral porque visava à análise de qualquer língua, européia ou não-européia, escrita ou ágrafa. Um ano mais tarde, a William Cameron Townsend foi dada a visão de que a Bíblia deve ser traduzida em todas as línguas. Para o movimento moderno da tradução da Bíblia, Deus estava suscitando o movimento da lingüística moderna como ferramenta fundamental.

Nos anos subseqüentes os dois movimentos têm andado juntos. Em certos aspectos a tradução bíblica tem simplesmente desfrutado as sucessivas ondas da lingüística: o estruturalismo que gerou a fonologia e a morfologia modernas, a gramática gerativa que gerou a sintaxe moderna, a lingüística funcionalista que associa as formas lingüísticas com suas funções comunicativas, a lingüística cognitiva que associa as formas lingüísticas com a cognição geral etc. Em outros aspectos, bem práticos, a tradução bíblica tem contribuído com a lingüística moderna, abrindo caminhos novos pela força da simples necessidade: a análise do discurso, o registro das línguas do mundo, a produção de software para a lingüística de campo, a elaboração de fontes não-romanas para publicações em muitas línguas, técnicas de alfabetização etc. Todos esses aspectos da linguística estão à disposição da tradução bíblica. Só falta aplicá-los.


Para centenas de brasileiros durante os últimos 26 anos, o CLM[1] tem sido aquele “curso de lingüística geral” que colhe e aplica o melhor da lingüística moderna à tradução bíblica. É um curso intensivo que ele requer, tanto do aluno quanto do professor, um amor a Deus de todo o coração, mente e força. Mas o fruto desse curso, recebido e posto em prática com amor, tem sido a vida eterna para muitos povos que, de outra forma, não teriam acesso efetivo à Palavra de Deus.


Fonte: http://www.missaoalem.org.br/artigos/35-artigos/48-art-1.html
Acesso em 31 de janeiro de 2012


[1]Curso de Linguística e Missiologia, ministrado pela Associação Linguística Evangélica Missionária – ALEM, situada em Brasília. Veja seu site: http://www.missaoalem.org.br/clm/

Tradutores da Bíblia: Benito Arias Montano (1527-1598)



Benito Arias Montano, nascido em Fregenal de la Sierra (Extremadura, Espanha) em 1527 e morto em Sevilha em 1598, foi um dos hebraístas[1] mais destacados de seu tempo. Realizou seus estudos de linguística, gramática, retórica e filosofia em Sevilha, complementando-os mais tarde na Universidade de Alcalá de Henares, onde em 1548 recebeu o título de Bacharel em Artes, tornando-se, em 1552, o primeiro poeta laureado por tal Universidade.
Assistiu ao Concílio de Trento e, após sua volta para a Espanha, retirou-se para a Serra de Aracena (Huelva). Permaneceu lá até o dia em que haveria de ser convidado pelo rei Felipe II para ser professor de línguas orientais no monastério de El Escorial e o responsável por sua extraordinária biblioteca. Na referida biblioteca, deixaria marcas de seu profundo conhecimento. Esse fato foi confirmado seu sucessor e pupilo à frente da mesma biblioteca, frei José de Sigüenza, que o admirava bastante.
Sendo o capelão de Felipe II, venho a ser a pessoa responsável por influenciar o ânimo do rei para apadrinhar o empreendimento da Bíblia Poliglota de Amberes[2], monumental trabalho que rivalizaria com a Bíblia Poliglota Complutense, obra realizada décadas antes pelo Cardeal Cisneros. Naturalmente a Bíblia Régia, apelido que ganharia a Poliglota de Amberes, não era uma simples reedição da Complutense, mas era uma obra que possuía importantes inovações, tais como o Novo Testamento em caracteres siríacos e hebraicos. Além disso, ela incluía a tradução latina de Sanctes Pagnino a qual acrescentava a Vulgata latina. Arias Montano revisou a tradução de Pagnino e adicionou outro volume, na qual o mesmo dissertava sobre a geografia bíblica, os pesos e medidas hebraicos, a disposição do templo, as vestes dos sacerdotes e a interpretação da língua hebraica.
Tudo isto fez com que Arias Montano e sua Bíblia fossem atacados e considerados suspeitos pelo Tribunal da Inquisição que olhava para sua tradução como um atentado contra a Vulgata, além de ser uma obra recheada de rabinismo.[3] Arias Montano havia atrevido-se a mostrar que o texto hebraico contrapõe-se ao da Vulgata, além de ter dado excessiva autoridade às paráfrases aramaicas. Podemos ver nisso um eco do que aconteceu com frei Luís de León. As semelhanças vão tão longe que até mesmo um dos acusadores de Arias Montano, León de Castro, foi o mesmo que também atacara ao frei Luis. No final desse processo, tanto Arias Montano como a Poliglota de Amberes saíram ilesos e nessa mesma cidade, Amberes, sua obra magistral foi impressa em 1572.
Outras obras de Arias Montano foram: Antiguidades Judaicas (1593), obra composta de 9 tomos na qual trata dos nomes próprios e comuns caldeus, hebraicos, gregos e latinos que ocorrem na Bíblia, Retórica (1569), Salmos de Davi e outros profetas (1571) - obra escrita em versos latinos. Também escreveu uma História Natural (1601) e Cartas.
Rejeitando o cargo de bispo e outras honras eclesiásticas que o rei lhe oferecera, retirou-se para Sevilha onde, cansado e doente, faleceu.


Traduzido Por Marcos Paulo da Silva Soares
Usado com permissão


[1] Pessoa dedicada ao estudo da língua hebraica.
[2] Amberes é o nome de uma cidade da Holanda, que na época pertencia ao Império Espanhol.
[3] Doutrina e estudo dos escritos dos rabinos.

Sons e Línguas - O Fazer Missões através da Tradução da Bíblia em Poesia

Abaixo segue o texto do Folheto Sons e Línguas, da Missão ALEM, que descreve de modo singelo o trabalho do missionário-tradutor de Bíblia...